sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

 

“Uma Piccola” História de Família

 

Livro 1 - Parte 1 - Recomeço

 

CAPÍTULO 02 – TUTTI QUANTI SI CAPISCONO

 

- Leonne, venni qua!


Giuseppe Laitano se preocupava com o filho de nove anos, que sem perceber se afastava do pai. Leonne era uma criança obediente, mas a curiosidade era muita. Quanta coisa para ver e tocar no convés do navio. Porém a voz do pai devia ser obedecida.

 

O céu estava claro, azul sem nuvens e o mar tranquilo. Era uma manhã linda em meio ao Oceano Atlântico. O vapor Maranhão singrava soberbo por duas semanas, desde que partira de Gênova.

 

- Que dia é hoje? pensou Giuseppe Laitano, enquanto colocava Leonne no colo.

 

O navio havia partido no dia vinte e dois de março, deste ano da graça de 1897, ponderou Laitano, então já devia ser o mês de abril, dia seis ou sete.

 

- Falta pouco pra chegar, concluiu.

 

Olhou em volta e viu tantos como eles tomando sua cota de sol diário. Junto deveriam estar ali sua mulher e os dois outros filhos. Entretanto Isabela Crescente tinha tanto medo do mar, que preferia ficar no porão, onde viajavam rumo  ao Brasil. Ela não se dera bem com a viagem marítima. Nos primeiros dias enjoara. Agora estava bem, porém com muita “paura” ainda. Segurava com ela Leonardo e Maria, seus filhos de sete e cinco anos. As crianças queriam subir com o pai, mas Isabela se sentia melhor ficando com elas. Achava que três crianças no convés, só com o pai, era perigoso. Laitano  era bom marido e bom pai, porém vivia distraído, era um sonhador.

 

Ela conhecia bem seu esposo. Agora mesmo o pensamento dele vagava acalentando memórias. Ele havia colocado Leonne, que dormia, deitado ao seu lado. Estava sentado sobre um tampão de madeira, uma espécie de porta horizontal que esquentava agradavelmente ao sol. Sua cabeça estava muito longe do corpo; sobrevoava a Calábria, seu “paese”. Lembrava aquele tempo há dez anos atrás, o dia em que se casara aos vinte e um anos de idade. Isabela estava linda com seu colorido traje típico de albanesa. Era um casamento na Igreja de ritual grego-ortodoxo albanês, disfarçado de católico. Era uma festa rica de famílias de agricultores pobres na Itália meridional de 1888.

 

Sua família estava toda ali na “piccola” vila calabresa de Spezzano Albanese. A família Laitano veio de cidades próximas, uma parte de Morano Calabro e outra de Castrovillari. Vieram atravessando a precária estrada de terra em seus carroções puxados por burros. Na viagem de quatro horas revezavam-se, ora a pé, ora sentados na carroça e todos cantando para esquecer o incômodo ao passar sobre as muitas pedras do caminho.

 

Eram todos moradores da Calábria, mas falavam línguas diferentes. A família Crescente de Isabela, de longínqua origem na Albânia, falava uma linguagem  greco-albanesa, o “arbëreshë”,  e os Laitano, um dialeto peninsular italiano, o calabro-lucano. Mas se entendiam muito bem. Afinal para que servem as mãos e as caretas?

 

Hoje, neste Século XXI, ninguém mais pensa que a Itália não seja um país unido e falando a língua italiana oficial, ensinada em todo o país. Mas a península continua cultivando dezenas de dialetos e até idiomas estrangeiros que deveriam tornar a nação uma verdadeira Babel. Mas milagrosamente “tutti quanti si capisci”.

 

Há muitos falares no norte e principalmente no sul, porém o falar de cada um pode ser a origem de muitos preconceitos, que ainda são atualmente mantidos em menor grau e com aparência de brincadeira, marcando as diferenças regionais.

 

Na Itália moderna, muitos italianos ainda são “paesani”, isto é, herdeiros de uma história em que cada “paese” era apenas uma pequena região isolada em torno de cidades, muitas vezes inimigas entre si. Por isso, Giuseppe Laitano           deixou de sorrir ao lembrar por quanto tempo foi chamado de “terón” ou “terrone”, um jeito brincalhão, de ser chamado pejorativamente de sulista, pelos seus amigos, lá da nortista Vêneto, onde morou na cidade de Vicenza por uns dez anos.

 

A mudança para lá já estava combinada antes mesmo do casamento. Estava cansado de viver na miséria da Calábria, depois de tantas invasões e guerras de unificação. Na época, Algumas pessoas vinham atazanar sua vida, com umas ideias malucas que ele nem entendia e querendo transformá-lo em “brigante”. Como tinha já um primo no norte que dizia que em Vicenza não faltava emprego, decidiu que iria morar lá também.

 

No dia seguinte ao seu casamento, partiu na longa viagem pelas estradas de ferro até Vicenza. Isabela havia aceitado acompanha-lo, mas chorou a viagem toda. Chorou por nove meses e só parou, quando nasceu Leonne, o primeiro filho do casal.

 

No início, a vida no Vêneto não era ruim, mesmo que nunca o deixassem esquecer sua condição de estrangeiro, mesmo sentindo falta dos amigos e parentes que ficaram tão longe lá no sul. Quando nasceu seu segundo filho, o Leonardo, já estava com a intensão de emigrar para a França como muitos estavam fazendo. Mas além do pavor que Isabela tinha de outra viagem, sair do país era contrariar as autoridades.

 

As coisas ali na Itália setentrional dos anos 1880 eram de uma brutal confusão. A Itália permitiu que a Áustria ainda continuasse como invasora e, além disso, aliou-se à desenvolvida e poderosa Prússia. Era um risco sair do país tão mal administrado e invadido, que precisava de mão de obra e não pagava muito bem, principalmente aos “terrone”.

 

Mas quando nasceu Maria, a terceira filha, Laitano já tinha a cabeça feita: Queria ir embora para a América. Queria ir para os Estados Unidos. Ele tentou por várias vezes realizar essa ideia, mas a nação americana do norte já andava limitando a entrada de imigrantes. Assim, deixou-se seduzir pelos “convocatori brasiliani”. Deixou-se levar pela conversa daqueles propagandistas que contavam maravilhas de um lugar que parecia o Paraíso e prometiam incríveis salários que receberiam no emprego já a disposição de todos. Além disso, a viagem era “de graça” e já iam contratados como agricultores, para fazendas cujos proprietários já tinham seus nomes escolhidos.

 

Não era tudo mentira.  Nas fazendas de café havia realmente grande demanda por trabalhadores livres, para substituir a mão de obra escrava que se escasseava com os movimentos abolicionistas brasileiros.  Por isso foi montada, principalmente no Sudeste e Sul do Brasil, uma estrutura onde o poder público financiava todo o processo de entrada dos trabalhadores estrangeiros no país.

 

De fato, os proprietários de terras “pagavam” a viagem, porém o imigrante era obrigado a trabalhar nas fazendas enquanto não “devolvesse”, pelo menos, parte do valor da passagem paga.

 

Mesmo com essa “facilidade”, Isabela e Giuseppe Laitano levaram anos entre a ideia e a realização desse sonho. A política, a economia, as duríssimas condições de vida, a constante falta de dinheiro, o medo do desconhecido e até mesmo as constantes crises de arrependimento da esposa, foram adiando a realização de viajar para “fare la’merica”. Apesar de tudo permanecia a esperança de melhorar de vida, de poder criar filhos com fartura, saúde e, “qui lo sà”,  ser dono de uma terrinha no Novo Mundo.

 

Entretanto quantas vezes o sonho tirava o sono. Não era uma decisão fácil abandonar tudo o que conheciam para navegar o mar do desconhecido e ir morar em terra estranha. Mas a necessidade é o que  dá coragem para vencer o medo e fazer o que é preciso, mesmo que o coração se aflija.

 

Migrariam somente quando todas as tentativas de melhorar de vida no Vêneto se esgotassem. Decidiriam  ir embora apenas quando não mais houvesse esperança de obter condições para escapar da miséria, que cada vez mais se aproximava. Entretanto, quando seus filhos pareciam sempre fracos e doentes, Isabela e Giuseppe Laitano criaram coragem e decidiram partir.

 

Tiveram de superar muitos medos; morrer na longa viagem oceânica, aprender outra língua, trabalhar sob um sol tropical plantando café... tudo “lontano” e diferente, tudo novo. Mas, após outras tentativas mal sucedidas de mudar de vida, desta vez seria bom? E se não for, como voltar para casa que ficava tão longe? Mas havia o sonho de “fazer a América”, de ganhar rapidamente muito dinheiro fácil e “retornare a casa mia”, rico e feliz para ajudar quem lá havia ficado.

 

Em março de 1897, os Laitano finalmente  partiram para o porto de Gênova. Tantas vezes adiaram a viagem que Maria, a caçulinha, já estava com cinco anos. Ao invés de ajudar, as autoridades dificultavam a partida. Então as famílias saiam escondidas à noite, no escuro e em silêncio, em grupos com cerca de trinta a quarenta mulheres e homens adultos, além de crianças.

 

Esses grupos eram  organizados por padres, que ajudavam por caridade, convictos de que era a miséria e a fome o que levava aquelas pessoas aos portos de embarque. Juntavam todos discretamente na paróquia e quando se aproximava a hora de partir, ministravam uma missa de despedida.

 

A jornada se iniciava com grande antecipação em relação à data de embarque marcada no porto genovês. Os padres sabiam das dificuldades do percurso; havia muitas esperas. Carregando os poucos pertences que podiam carregar, andavam até a estação ferroviária vicentina, onde teriam de esperar o tempo necessário para a chegada com a previsível falta de pontualidade do trem.

 

Após longa espera, acomodavam-se como podiam nos vagões de terceira classe. As mulheres e crianças ocupavam preferencialmente os bancos de madeira, enquanto os homens sentavam em suas malas ou caixotes e quem não os tinha, ficava no chão duro mesmo. Os trens já vinham com passageiros de cidades anteriores e os poucos espaços diminuíam. O silêncio era tão grande quanto o aperto no vagão. Iam todos assustados pelo medo e, ao mesmo tempo, encorajados  pela esperança de uma vida melhor.

 

De Vicenza até Gênova havia inúmeras paradas nos quase 400 quilómetros da viagem. Em várias cidades subiam outros imigrantes aumentando o aperto. Chegados ao primeiro destino, corriam até o Comissariado para tirar o passaporte, que normalmente tomava dois dias de espera. A família Laitano esperava todo esse tempo apenas para marcar seus “x” de analfabetos no lugar da assinatura. Depois, aguardavam mais vinte e quatro horas, um dia inteiro para embarcar. Com tanta espera, esgotavam todo o alimento que traziam amarrados em trouxas, desde que saíram de casa.   

 

O porto de Gênova ficava amontoado por centenas de pessoas humilhadas, famintas, sujas e mal vestidas. Era o retrato de um país mal unificado e mal administrado pelas elites, incapaz de proporcionar ao seu povo uma vida decente, nem mesmo boa roupa, ou noções do alfabeto e muito menos simples regras de higiene. E além de tudo pelo que passavam, ainda no momento de partir, eram motivo de chacota e humilhação dos compatriotas que iriam ficar.

 

- “Guardate l’armata della miséria”!

 

- Vocês estão fugindo e vão deixar o campo sem trabalho e as mulheres que aqui ficarem sem sustento!

 

Os migrantes só respondiam com gestos obscenos, mas sempre havia um mais ousado que começava a gritar de volta.

 

- Vamos embora e seus patrões vão ter que trabalhar com as próprias mãos em suas terras.

 

Os “ficanti” xingavam, maldiziam, usavam as palavras de preconceito que conheciam para diminuir quem já se sentia derrotado. Mas os pobres reagiam.

 

- “Viva l'América!” Gritavam muitos.

 

- “Morte ai signori!". Um ou outro se fazia ouvir escondendo a cabeça.

 

Em resposta, um provável anarquista, vendo os padres que defendiam os migrantes, demonstra seu anticlericalismo:

 

- O papa é o câncer da Itália  e os padres assassinos da alma!

 

E com essa reação de seus compatriotas que não iriam partir, os emigrantes cansados e desprezados só queriam entrar no navio e ir-se embora. Mas cada passante trazia uma nova palavra ofensiva. Nada era fácil para aqueles decidiram migrar. Mas havia muitos que o faziam com o punho levantado em protesto e também em defesa do sonho acalentado de “fazer a América”.

 

Giuseppe Laitano deu um suspiro. Parou por um instante de relembrar. O navio seguia navegando num mar tranquilo de céu azul. Sentiu seu filho Leonne, que ainda dormia ao seu lado. Seus olhos marejaram.

 

- “I miei figli avranno una vita migliore, grazie a Dio”.

 

Pensou em acordar o menino para descerem ao alojamento. Mas considerou melhor ficar quieto ali. O filho dormia tranquilo ao sol ameno e Isabela deveria estar também dormindo no beliche com Leonardo e Maria. Deu outro suspiro e sua cabeça retomou a lembrança da confusa partida neste navio chamado “Maraniom”.

 

Procurou os passaportes que estavam no bolso traseiro da calça, fechado com segurança por um forte botão protetor. No outro bolso igual, ao lado esquerdo, estavam a certidão de casamento e todas as cinco de nascimento da família. Fazia isso compulsivamente, como se não confiasse que estava tudo ali. Analfabeto, sabia o que estava escrito em cada documento que identificava sem problema.

 

Sempre pediu para alguém os ler e tentava gravar de memória tudo o que estava escrito. Sua preocupação se justificava, pois toda vez que pediram que apresentasse algum documento, estava em meio a uma confusão de muita gente. Eram quase mil os imigrantes que se empurravam e gritavam ansiosos para embarcarem no “Maranion”, sem perder nenhum familiar, nenhum pertence e nenhum documento.

 

Todas às vezes que se lembrava desses tumultos, conferia se havia guardado de volta todos seus documentos. Sua ansiedade o fazia inseguro a ponto de achar que a vida futura da família estava ali, naquela papelada.  Então, mais uma vez, tirou todos os papéis do bolso e repassou o que sabia sobre cada um:

 

- Nos dois “passaporti” estão todos os dados de nós cinco. No meu está agricultor, chefe de família e os meus dois filhos “maschi”. No outro está Isabela e Maria, a picolina. Todos católicos italianos.

 

Pegou a Certidão de Casamento e todas as de Nascimento e identificou uma a uma, como sempre.

 

O papel que mais preocupação lhe dava era o que mais se esforçara para decorar. Repassava sempre os dizeres dele, porque era o único que disseram estar escrito em “portuguese”. Com o documento à mão, declamava em sua língua, pulando os dados pessoais da família Laitano:

 

- (...) emigram hoje, deste Porto de Gênova, a bordo do vapor Maranhão, com destino a Santos, em conformidade com  o Contrato de 7 de março de 1896, emitido pelo Respeitável Governo do Estado de São Paulo. Gênova, 22 de março de 1897”.

 

Laitano dobrou o papel e o guardou novamente nos bolsos junto a todos os outros. Conferiu se os botões estavam bem fechados. Suspirou com alívio. Ele dava tanta importância a esse último documento porque quem o assinava era Gustavo Gavotti, Deputado do Parlamento italiano e o dono da Ligure Romana, a armadora dos navios que faziam a ligação marítima entre a Itália e o Brasil.

 

Essa viagem através do Atlântico, que durava mais ou menos um mês, já estava na metade, acreditava ele. Agora teriam de aguentar só mais duas semanas. O vapor deveria ir direto para esse tal porto de Santos, no Brasil, mas no terceiro dia de navegação, parou nas Ilhas das Canárias, para esperar passar uma tempestade em alto mar. Passou um dia inteiro nessa escala e nenhum imigrante teve autorização para desembarcar. Mas isso até que foi bom, pois com o navio ancorado no porto, Isabela e as crianças subiram ao convés sem medo. E embora caísse sem parar, uma chuvinha fininha, a família inteira aproveitou o convés para respirar ar puro, longe do alojamento imundo.

 

Além disso, a tripulação deixou de distribuir a comida, mas aproveitou para higienizar os porões, o que era muito mais importante. A imundice nos alojamentos chegava a um nível insuportável. Logo que o navio deixou o porto de Gênova e começou a balançar nas ondas do mar, os enjoos entre aquela gente, que nunca subira em um navio daquele porte, explodiram por toda parte.

 

A tripulação pediu para todos os que se sentiam mal deitassem, para se acalmarem e se acostumarem com o balanço. Isso acalmou muitos, mas não adiantou por muito tempo. Assim que o Maranhão passou a navegar pelas águas mais profundas do Mediterrâneo, com balanços maiores, recomeçaram os vômitos em maior escala nos dormitórios e a corrida aos banheiros. Muitos nem conseguiram dar alguns passos e os banheiros eram insuficientes...

 

Foi um verdadeiro caos; corridas, escorregões, gemidos e gritaria. O chão molhado pelo vômito geral, produzia tal sujeira e fedor que até os mais fortes sucumbiam à situação catastrófica. Aos poucos, ao voltar algum bem-estar generalizado, a tripulação auxiliada por muitos passageiros e com muito trabalho, conseguiu limpar todas as áreas inundadas pela verdadeira maré líquida e sólida excretada. Mas o mau cheiro permaneceu até a limpeza mais eficiente, feita na escala das Canárias.

 

Não havia médico a bordo e o que todos  mais temiam era o descontrole das condições de saúde dos quase mil passageiros. Qualquer sinal de  doença de alguns, era motivo de preocupações. Todo distúrbio intestinal, gripes, pneumonia e até enjoo,  eram controlados não só pela tripulação como também por todas as mulheres embarcadas, que traziam suas precárias receitas caseiras e suas rezas poderosas. Porém, a grande “paura”, o constante pavor era o aparecimento de peste a bordo.

 

Esse pensamento medonho fez Giuseppe Laitano querer descer ao seu alojamento para ficar junto ao resto da família. Acordou Leonne e quando iam descendo a escotilha ouviram uma grande algazarra a bombordo, o lado contrário em que estavam. Segurando com força a mão do filho, correu para lá.

 

Era outro navio também carregado de imigrantes, que passava pelo lado esquerdo do Maranhão.

 

Todos os passageiros do convés espremiam-se para saudar os “paisanos” do outro navio. Era uma festa de gritos, assobios, acenos de ambos os vapores. Foi uma festa que durou cerca de duas horas, até ambas as naves se afastarem. Mas o espírito festivo continuou, a alegria contagiante mantinha todos querendo falar, alguns corriam para ir contar o acontecimento aos parentes que ficaram nos dormitórios, os mais exaltados cantavam, os mais felizes ainda, dançavam...

 

O Oceano Atlântico nunca viu tanta alegria. Toda aquela gente sofrida esbanjava felicidade. Mas por que tudo isso? Só por outro navio de imigrantes ficar navegando junto por pouco tempo? Não! É que aquela multidão expatriada, pela primeira vez desde que partira, presenciava tantos outros iguais a eles a caminho do mesmo destino. Não se sentiam mais sós!

 

Isabela chorou muito ao ver a alegria com que o marido contava o encontro dos navios. A caçula Maria, sem entender o pranto, agarrou-se preocupada ao braço da mãe.

 

- “Non, figlia mia, adesso sto piangendo di felicità”.

 

Sim, eles não estavam sós. Milhões já haviam partido acalentados pelo mesmo sonho. Quase nenhum realmente enriqueceu e mesmo aqueles que conseguiram alguma fortuna, acabaram ficando presos aos bens que conquistaram na nova terra. A grande maioria viveu feliz no Brasil, mesmo que para quase todos, tenha sido uma vida dura e uma viagem sem retorno.

 

Mateus Cosentino

Sampa – 08.07.2017

 

Licença Criativa - Esta obra está licenciada para Mateus Cosentino. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Se você ainda não segue nosso site do Facebook, dê um clique no link abaixo e seja um seguidor:  https://www.facebook.com/groups/200596233131623/


Nenhum comentário:

Postar um comentário

O QUE VOCÊ ACHOU?