“Una
Piccola” História de Família
Livro 1 - Parte 2 - Recaída
CAPÍTULO 21 – O CRACK DE WASHINGTON LUÍS
Iniciei minha vida escolar no ano de 1949, em Taquaritinga, aos seis anos de idade. Foi no Colégio das Freiras, onde lembro que uma jovem e doce madre Romano, ao lado do piano, me ensinava a cantar “Mama” e “Sole Mio”. Depois me vejo no Grupo Escolar Domingues da Silva de onde a única coisa que recordo é de uma festa junina, na qual me vestiram de “Coronel Caipira” e declamei, sem medo, no palco e para um grande público, uma poesia chamada “Vamo pro Arraiá”. Em 1950 frequentei o “Jardim de Infância” em uma escolinha entre o Cine São Pedro e o Fórum. Em 1951 e até agosto do ano seguinte, completei o primeiro ano do “Primário” e metade do segundo, no Segundo Grupo Escolar.
Em agosto de 1952, minha família mudou-se para São Paulo. No primeiro dia de aula na Capital, Mamãe vestiu-me com o terninho branco da Primeira Comunhão, recém-feita em Taquaritinga e que fez meus novos colegas, devidamente uniformizados, me olharem como um extraterrestre. Para me deixar menos constrangido, Dona Lídia, a minha nova professora, pediu-me que lesse um trecho de um livrinho. Como me ensinaram no interior, levantei-me, com a mão direita sustentei o livro, mantendo o braço esquerdo às costas e li. A classe ouviu em silêncio e quando terminei, a professora elogiou minha leitura, conclamando os demais alunos a seguirem o meu exemplo. Aí então, eles me acharam mais estranho ainda. Entretanto, graças ao que havia aprendido em Taquaritinga, já lia fluentemente, enquanto meus coleguinhas paulistanos, ainda liam gaguejando. Estudei até terminar o “Ginasial” no Colégio Atheneu Brasil e em função da minha brilhante estreia, sempre fui considerado bom aluno (mais do que realmente era) e visto com benevolência pelo Diretor e por quase todos os professores.
Esta introdução é para evidenciar que Taquaritinga sempre deu ênfase à qualidade do ensino de suas crianças e retornar ao dia 2 de janeiro de 1928, que tem um significado todo especial para os taquaritinguenses e principalmente para a educação da população da cidade. Foi nessa data que o Gymnasio Municipal de Taquaritinga iniciou suas atividades. Sua sede, assim como o setor feminino, ficava no prédio da Rua General Glicério, 13 (ex Rua Francisco Glicério). Enquanto o internato masculino funcionava à Rua Duque de Caxias, 52, onde residia o Diretor, o Dr. José Magalhães.
Sob
a fiscalização federal, exercida pelo Dr. Máximo de Albuquerque, as 20 matérias
ministradas eram dadas pelos seguintes professores:
· Português, Latim e Aritmética; Dr. José Magalhães.
· Instrução Moral e Cívica; Dr. Juvenal de Toledo Ramos.
· Física, Química, História Natural e Desenho; Dr.
Oliveira Pinto.
· Inglês; Dr. Satyro de Mello.
· Francês, História Universal e História do Brasil; Dr.
Aimone Salerno.
· Geografia, Corografia do Brasil, Cosmografia e Álgebra;
Dr. Alípio Corrêa Leite.
· Italiano, Geometria e Trigonometria; Professor Savério Calderazzo.
Em 8 de dezembro de 1927, um mês antes do início das atividades da escola, houve uma reunião na redação do semanário “A Reforma”, à Rua Prudente de Moraes, 64-A, objetivando a fundação de um estabelecimento de ensino primário e secundário. Entre os cidadãos e educadores presentes, fundadores da nova escola, estava o jovem Antonio, filho de José Cosentino. Eis aí porque juntamos ao orgulho taquaritinguense, o nosso orgulho familiar, por essa participação na fundação do Gymnasio Municipal de Taquaritinga (que deu origem ao Instituto de Educação "9 de Julho").
Dois meses após a inauguração do Gymnasio, em 3 de março de 1928, o jornal “O Democrático”, noticiava que já estavam programadas as provas para admissão ao primeiro ano “gymnasial”. Entre os 38 candidatos, estavam inscritos Maria Cosentino e Pedro Cosentino [filhos de Nicola], Oswaldo Cosentino [filho de José] e Níger [filho de Domingas Cosentino e Nicola Ordine].
Oito meses depois das provas de admissão, em 25 de novembro de 1928, o jornal “A Reforma” dava destaque à notícia referente aos “exames finaes do curso gymnasial do primeiro anno. (...) o êxito brilhante e o sucesso surpreendente dos alumnos que, no Gymnasio local, se submeteram a exames perante bancas constituídas de professores vindos de fora, todos elles pessoalmente desconhecidos da directoria e a quem esta via pela primeira vez”. E seguiam os nomes dos 24 alunos aprovados nas matérias: Geografia, Português, Francês, Inglês, Latim, Mathematica. Meu único parente entre os aprovados era meu primo Níger, aos 12 anos de idade.
Sempre chamei meu primo Níger de “tio”, assim como Nazário, Ânio e Artemisa, os outros filhos de minha tia Domingas. Mansueto, meu pai, nascido em 1908, foi o filho único do segundo casamento de meu avô. Braz e Domingas, os dois irmãos do primeiro casamento do meu avô Matheus, tinham respectivamente 17 e 13 anos a mais que Mansueto. Nesse ano, Braz ainda era solteiro, mas minha tia Domingas já contava com quatro filhos. Quando eu nasci, em 1943, Nazário, o filho mais velho dela, tinha 35 anos, a mesma idade de meu pai, Ânio, o segundo, tinha 31, Níger 27 e a filha caçula, Artemisa, 21 anos de idade. Não havia, portanto como chamar esses primos tão mais velhos, senão de “tios”. E assim ficou por toda a vida.
Porém, o que importa nesse ano de 1928, em que está sendo feita esta narrativa, é que Mansueto, então com 20 anos de idade, já era Contador diplomado e, autodidata, o único da família que se aprofundava no estudo da história da Itália e sabia falar o “italiano ufficiale”. Admirador de cinema norte-americano, narrava filmes informando corretamente os nomes de atrizes e atores, dos quais mantinha coleção de fotos. Além disso, lia regularmente romances e poesias. Era considerado o intelectual da família, por alguns e um sonhador, por outros.
A descrição física do jovem Mansueto era: Branco, 1,66 metros de altura, cabelo preto, barba feita e bigodes raspados, rosto redondo, nariz afilado, boca pequena e nenhum outro sinal de identificação. Profissão: Contador. Assim era descrito na Folha de Identidade Nº 20011, ao incorporar-se, em 17 de fevereiro de 1928, no Serviço Militar, Primeira Turma de Atiradores do Tiro de Guerra 75 de Taquaritinga, onde solenemente fez seu juramento à Bandeira
O primeiro “Tiro de Guerra” a funcionar no Brasil, ocorreu na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul em 1902. Era uma espécie de sociedade de tiro ao alvo com finalidades militares e com o nome original de “Linha de Tiro”. A participação era “voluntária”, isto é, com convocação seletiva entre jovens das “famílias boas” do município. A partir de 1916, com o impulso dado pela pregação do eminente poeta Olavo Bilac e outros, também com o apoio do poder municipal, as “linhas” se transformaram em Serviço Militar obrigatório do Exército Brasileiro e passaram a ser essenciais na formação de reservistas de 2ª categoria. A instrução militar era feita no período de 40 semanas com uma carga-horária semanal de 12 horas, suficientes para preparar soldados aptos à Defesa Territorial e Defesa Civil. Foram criados Serviços Militares, em cidades representativas de cada região. Por exemplo, a Linha de Tiro 148 de São Carlos, foi criada em outubro de 1917 e posteriormente denominou-se Tiro de Guerra 43.
No referido, o TG 75 de Taquaritinga, em 21 de agosto de 1928, meu pai, Mansueto Cosentino, deu baixa, completando sua Instrução Militar. O Terceiro Sargento Astrogildo Nascimento foi seu instrutor e assim o qualificou: Atirador aceitável de 2ª classe tem resistência à marcha, escreve à máquina, é telefonista e “chauffeur”. Não sabe nadar. Tem boa conduta e bom caráter. Reside em Taquaritinga. Deve apresentar-se no 1º dia de mobilização [quando houver], na 6ª R. M. de Caçapava – São Paulo.
Eram 30 os atiradores integrantes dessa primeira turma. A simples leitura de seus nomes me reporta aos amigos de meu pai, com quem convivi por volta de 1950 e cuja lembrança de uma criança de menos de dez anos, torna suas figuras voláteis, mas seus sobrenomes cantam em meus ouvidos: Fioravante, Stabile, Lui, Salvagni, Miziara, Menon e tantos outros. Sentia que eram amigos verdadeiros de Mansueto e quase 25 anos após conviverem no Tiro de Guerra, sorriam para mim, ou diziam algo simpático, ao me verem passar. Eram os amigos que ficam para sempre e que ficaram na Taquaritinga das minhas lembranças infantis e certamente nas saudades de meu pai.
Emocionado, também me lembro dos meus próprios amigos taquaritinguenses dos primeiros anos de 1950: Waldemar d’Ambrósio Filho e seu irmão, Dorival de Jesus Parise, os irmãos Fucci, José Café Filho e Yoski “Germano”. Eram amigos meus e de meu saudoso irmão Antonio Mansueto. Claro que havia outras amizades, mas esses eram os mais frequentes. Nossas atividades envolviam jogo de bolinhas de gude, no Jardim da Igreja, arrancar cabeças de saúva e pendurar na camisa como botões, guerra de estilingue com mamonas, esconde-esconde e campeonato de lutas para determinar o mais forte. Eu era o terceiro colocado, Zé Café o segundo e Yoski o primeiro. Praticamente nossa turma ficava toda tarde, após a escola, no grande quintal da casa do Yoski, até ele se mudar para o lado da Casa Germano, a loja do seu pai, na esquina da Rua Prudente de Morais, com a Rua Marechal Deodoro. Eu e Yoski nos considerávamos os melhores amigos. Entretanto do que eu mais gostava eram os almoços na casa dele, onde sua mãe preparava uma mesinha no quintal, perto da cozinha e nos servia sua gostosa comida. Mas o que ainda mais lembro (aos75 anos) eram os deliciosos sucos de laranja, para mim um verdadeiro maná, pois em casa, minha mãe não permitia líquidos nas refeições.
Só muito depois, na leitura do livro “Taquaritinga - História e Memória” do amigo Milve Peria fiquei sabendo que o sobrenome do dileto companheiro de infância não era Germano e sim Zaiantchik e que seu pai, Germano Zaiantchik, chegou á Taquaritinga em fevereiro de 1928, no mesmo ano em que meu pai dava baixa no Tiro de Guerra. Ao chegar, hospedou-se no Hotel Avenida, de propriedade de Antonio M. dos Santos. Trabalhou vendendo tecidos e roupas feitas, de porta em porta, de sítio em sítio, como mascate. Depois de se casar com Dona Dida Ramos, em 1937, criou a Casa Germano, onde permaneceu até 1976, quando encerrou suas atividades comerciais.
Tudo ia bem na Taquaritinga de 1928, assim como tudo parecia ir bem na família Cosentino. Apesar de dificuldades e atritos familiares, tudo parecia sob controle. Como, por exemplo, atesta em uma de suas edições, o jornal “O Democrático”, noticiando, na secção Social, o aniversário de Mafalda, filha de José Cosentino, em 13 de maio de 1928. Então, já havia ocorrido a primeira grande perda da família, “Fazenda Santa Rosa”, em Icoarana, quando a geada dizimou os pés de café e foi necessário vendê-la. Também o embate com a Câmara taquaritinguense, causou significativo desgaste emocional e financeiro a “Brás Cosentino & Ordine Ltda.”.
Mas, apesar de tudo, a família mantinha sua relevância comercial com empresas saudáveis, incluindo-se desde a antiga “Fábrica de Macarrão Mafalda”, até a recente revenda de “Camas e Mobília Patente”, de José e a Serraria de Nicola. Braz e Ordine faziam funcionar sua papelaria “Casa Radium”, enquanto não resolviam os problemas do “Cine Teatro Coliseu”.
Enfim, o ano de 1928, mesmo com suas perdas, ainda dava uma aparência de normalidade familiar. Tanto que, em 25 de fevereiro, Braz, com seus 37 anos, compra ações da “Cia de Petróleo Cruzeiro do Sul” e, no mês seguinte, convence seu irmão mais novo, a também comprar ações dessa empresa “em organização”. Aliás, nesse mesmo mês, Mansueto, aos 20 anos, passa a dirigir o Studebaker do Braz.
Mas essa paz aparente escondia uma profunda cisão, um repentino impasse sobre a sociedade entre Braz e Ordine, no âmbito familiar. Nicola Ordine cansou-se da briga contra as dificuldades financeiras e quis sair da sociedade que tinha com o cunhado. Foi uma decisão consciente, mas difícil porque iria enfraquecer Braz, o parceiro de tantos anos. Foi uma decisão corajosa porque a separação não seria amigável. Foi enfim a decisão de um homem preocupado com o futuro de esposa e filhos. Braz honrou todas as dívidas da separação do sócio. Mas levou tempo para saldar tudo e muito mais para o fechamento fiscal da empresa. Entretanto, restou uma mágoa mal contida contra seu cunhado Nicola, que perpassou por toda a família da irmã, atrapalhado o relacionamento fraterno.
Porém, todo Cosentino engole a mágoa e toma decisões impetuosas, sem suficiente ponderação. Assim em 1º de julho de 1928, Braz dá início de operações a uma nova firma, a “Braz Cosentino & Cia.”, Uma sociedade constituída entre ele e seu irmão Mansueto. Mas somente três meses depois, a nova empresa noticia oficialmente sua constituição. Dia 30 de outubro envia um comunicado a fornecedores, credores e clientes e amigos que, no dia seguinte, é publicado em jornal:
“À Praça, amigos e clientes: Comunicamos a V.Sas. que em sucessão da Firma Braz Cosentino & Ordine Ltda., desde 1º de julho próximo passado ficou constituída uma nova empresa, que girará com a Razão Social de “Braz Cosentino & Cia.”, composta dos Srs. Braz Cosentino e Mansueto Cosentino e que continuará atuando no nosso estabelecimento, à Rua Prudente de Morais, 36 em Taquaritinga, sob mesma denominação de “Casa Radium”, atuando no ramo comercial de Tipografia, Papelaria, Livraria, Miudezas etc. Comunica, outrossim, a todos, que na data de hoje, 31 de outubro de 1928, retira-se na melhor harmonia, pago e satisfeito do seu capital e lucros da Secção de Tipografia da “Casa Radium”, o Sócio Nicola Ordine, continuando a mesma firma, Braz Cosentino & Ordine Ltda., somente com a secção Cinematográfica. O Ativo e Passivo da “Casa Radium” fica a cargo do Sócio Braz Cosentino”. Assinam seus nomes Braz e Mansueto por “Braz Cosentino e Cia”, e Nicola Ordine, concordando.
Em 20 de março de 1929, era feita a Declaração de Registro da nova firma “Braz Cosentino & Cia.”. Constando em contrato que os sócios Braz e Mansueto possuiriam, cada um, 50% do Capital Social. Braz será o Sócio Gerente, com retirada mensal de 50% acima da retirada de Mansueto, o Tipógrafo e Guarda Livros. Os Lucros e Perdas deveriam ser divididos igualmente entre os Sócios. E Braz, também tinha o direito de administrar qualquer outro negócio que não prejudique a firma. Era um novo começo para meu tio e meu pai, associados em uma nova empresa.
Entretanto é preciso não esquecer que esses últimos anos da década de 1920 foram anos difíceis. Mesmo que, até 1928, se vivesse apenas o começo de anos muito problemáticos. Porque, com a chegada de 1929, o que era ruim, passaria a ser terrível para todo Brasil, para o Estado de São Paulo e, evidentemente para o município de Taquaritinga. Para os Cosentino, foram anos tragicamente definiram seu futuro.
Mas o ano de 1929 começou com uma boa notícia. Em abril chegava ao Brasil o cinema sonoro. Foi um sucesso imediato e em menos de seis meses, os filmes falados já quebravam recordes de bilheteria, nas melhores salas de cinema do Rio de Janeiro e de São Paulo. Esses cinemas equiparam-se de imediato com projetores sonoros importados e os “filmes sincronizados” por som ótico. Porém, até uma notícia tão auspiciosa como essa, não deve ter sido muito bem recebida por meu tio Braz. Com o recente distrato da sociedade de muitos anos e o consequente pagamento do capital e lucros do ex-sócio, Braz Cosentino, não dispunha de capital suficiente para ingressar na nova era do cinema.
A atividade cinematográfica de Braz Cosentino & Ordine Ltda. ainda sofria as consequências do embate contra o Privilégio. A proibição de funcionamento do Coliseu, em construção, retirava a renda de bilheteria esperada para cobrir parte dos custos das obras do cinema. Além disso, a saída de Nicola significou um dispêndio inesperado. Portanto, não havia disponibilidade de caixa para realizar novos investimentos necessários para aquisição dos projetores conjugados Vitaphone e Movietone, além do sistema de som em filme desenvolvido pela Western Electric. Mas alguma coisa precisava ser feita, para não permanecer no silêncio do cinema mudo e morrer.
Era preciso não demonstrar ao comércio local a verdade administrativa da empresa. Isso pode explicar as atitudes não muito lógicas que demonstram a busca de saídas impensadas para uma situação preocupante. Como por exemplo, emprestar dinheiro para parente, somente para dar a impressão de estar tudo bem. Foi o que fez Braz em 15 de maio, concedendo um empréstimo em dinheiro para o primo, residente em Monte Aprazível, Paschoal Albanese, filho de sua tia Tereza, irmã de seu pai. O primo Pascoal era mais um, entre tantos em dificuldades, que recorria a quem pudesse, para minimizar suas dívidas. Paschoal assinou uma promissória para pagamento em 45 dias, que, na data, foi devidamente paga em Rio Preto. Meno male!
Outro exemplo de ato impensado, era a fantasia de que investir no futuro, seria uma oportunidade para ter devolvidas as perdas. A esperança era tão grande, que nem se avaliava convenientemente os riscos. As armadilhas eram tão bem elaboradas que nem permitiam a dúvida de que o negócio poderia ser escuso. Era colocada uma documentação tão bem produzida, que até os mais descrentes, influenciados por suas penúrias, deixaram-se convencer. Tratava-se de aparente realização de um sonho, acalentado desde o Século XVIII por José Bonifácio e milagre sonhado por Dom Bosco: A interiorização da capital do Brasil, saindo do litoral, rumo ao planalto central. Na capa da proposta de compra de lote, para dar credibilidade, a foto “em homenagem” ao Presidente Washington Luís Pereira de Sousa. Era um caderno muito motivador, editado 31 anos antes da inauguração de Brasília:
“República dos
Estados Unidos do Brasil
Planalto
Central de Goyás – novo Distrito Federal
Município de
Planaltinópolis – Comarca de Formosa – Estado de Goyás
Certidão de
Registro: Concedido à Braz Cosentino o domínio e posse de lote Nº 10, da quadra
3.257 de terreno em Planaltinópolis, nas Fazendas do Bom Sucesso e Lambary, com
área de 500m2, na conformidade da Lei Nº 120 de 07/03/1928 e Nº 115de
07/10/1927, que confina, pela frente, com a Rua Projetada Av. Ruy Barbosa,
tendo 10m de frente e desta aos fundos 50m.
Acha-se registrado nesta Secretaria na Secção de Propaganda do Planalto Central de Goyás, do Município de Palestina, no Livro Tombo Nº 8, folha 923, sob o Nº de ordem 1846.
A área de
Planaltinópolis, segundo o parecer do Dr. Alfredo Pujol, é propriedade de
Deodato do Amaral, que passa procuração a Antonio Teixeira Osório
(Superintendente da Secção Especial de Propaganda do Planalto Central de Goyás).
O Decreto Nº 4.494 de 18/01/1922, colocou a Pedra Fundamental da Futura Capital
da República (...)
Trecho de
Plataforma Política do Dr. Washington Luís Pereira de Souza: “Uma ferrovia, a
entrelaçar as estradas umas nas outras, com o objetivo de liga-las todas
intimamente à Capital Futura, no Planalto Central do País, para onde ela tem
que se mudar por determinação do nosso Pacto Continental e para satisfazer às
aspirações do Distrito Federal, na sua organização definitiva em Estado. É tão
necessária como o ar que se respira”.
26 de março de 1929”.
Washington Luís, no início de 1929 ainda podia dar peso à venda de lotes em Planaltinópolis, apesar da superprodução de café do ano anterior e da agitação política que sempre ocorre em épocas de crise, mas a rotina das pessoas permanecia apesar de tudo.
Tanto era assim que minhas famílias, a materna de Leão e Filomena, assim como a paterna de Matheus e Antonia, procuravam manter-se otimistas em uma Taquaritinga as voltas com mais um dos muitos ciclos de crise da cafeicultura. No final de junho de 1929, meu avô materno, Leão Laitano, aos 40 anos de idade, assinava tranquilamente os boletins do Grupo Escolar de Taquaritinga, de suas filhas, bem comportadas e com razoável aproveitamento escolar. Mariana, minha mãe, então com 12 anos frequentava o 3º ano do primário. Enquanto isso, em 31 de agosto, Mansueto, meu pai, aos 21 anos, era também aprovado, mas não em exame escolar. Passava a ser Reservista de Segunda Categoria e 10 dias depois, já era promovido a Cabo de Esquadra do Exército.
E por falar em exército, durante a Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918, a economia dos Estados Unidos estava em pleno desenvolvimento. As indústrias norte-americanas exportavam sua produção em grandes quantidades, principalmente para os países europeus, que estavam dedicados prioritariamente com a reconstrução de suas indústrias e cidades, arrasadas pela guerra, portanto, necessitando manter em alta suas importações, principalmente as dos EUA. E enquanto isso, os cafeicultores paulistas, pretendendo aproveitar o crescimento das importações das nações do hemisfério norte, iam produzindo safras cada vez maiores.
Entretanto, essa situação de importação plena, paulatinamente começou a mudar. Enquanto as nações europeias se reconstituíam, iam diminuindo progressivamente a importação de produtos industrializados e agrícolas dos Estados Unidos, promovendo a queda das exportações das indústrias norte-americanas. Com suas exportações em queda, começaram a aumentar os estoques internos de produtos. Nos últimos anos da década de 1920, enquanto isso ocorria como se nada estivesse acontecendo, vivia-se na América do Norte uma fase de intensa especulação na Bolsa de Valores de Nova York. Grande parte das empresas de capital aberto possuía e negociava especulativamente ações na Bolsa, assim como faziam milhões de investidores de todos os tipos. Consequentemente, em 1929, os valores das ações estavam em níveis elevadíssimos, fora de toda realidade.
Então, como uma praga inesperada, aconteceu em Wall Steat a “Quinta-feira Negra”. Foi no exato dia 24 de outubro de 1929, quando 70 milhões de títulos foram jogados no mercado de ações e, para aterrorizar seus vendedores, não encontraram ninguém que os comprasse. Essa quantidade imensa de papéis sem compradores fez despencar bruscamente os preços das ações, gerando um pânico descontrolado e irracional.
Era o grande “crack” de 1929, que, em poucos dias, desvalorizou imensamente as ações em bolsa e causou a correria dos investidores para vender suas ações antes de se perder todo o valor delas. O efeito foi devastador, para pessoas muito ricas que passaram se ver descapitalizadas e totalmente pobres, da noite para o dia. O número de falências de empresas foi enorme e o desemprego atingiu praticamente um terço dos trabalhadores.
O “crack” deu origem à “Grande Depressão”, o período da maior crise econômica mundial, que perdurou entre os anos de 1929 e 1933. Começou atingindo, primeiramente a economia norte-americana e daí se espalhou e fez estragos na Europa e, sucessivamente, em todos os continentes.
E como não podia deixar de ser, o nosso Brasil também foi solidamente atingido pela Grande Depressão. Éramos em 1929 um país predominantemente agrário. A população brasileira era de 37 milhões de habitantes. 70% dos quais viviam campo. Os Estados Unidos eram o maior comprador do café brasileiro, que na época se encontrava em uma fase boa de exportação de café, quando toda superprodução era absorvida pelo mercado externo.
Imediatamente após o crack, a importação americana do café brasileiro diminuiu muito e os preços caíram fortemente. Em agosto de 1929 a cotação da saca de café em Santos era de 200$000 (duzentos mil reis), menos de cinco meses depois, em janeiro de 1930, a cotação caiu para 21$000 (vinte e um mil reis). Para tentar conter a queda do preço da saca, o governo brasileiro comprou e queimou toneladas de café, diminuindo a oferta, visando conseguir estabilizar o preço do principal produto brasileiro.
Mas, em tão poucos meses, vendo reduzir o valor da exportação a cerca de 10%, do que conseguiam antes da quebra da Bolsa de Nova York, os cafeicultores se viram sem capital para manter sua produção agrícola. Com essa descapitalização e a impossibilidade de saldar seus débitos, os cafeicultores, assim como todo tipo de produtor agrícola, são levados à falência.
O incontido desespero de parte dos cafeicultores foi de tal ordem, que vários tomaram atitudes extremas, inclusive a de cometer suicídio. Numerosos fazendeiros, menos desesperados, diante da impossibilidade de saldar seus débitos foram obrigados a se desfazer de suas terras e cafezais a preços aviltantes, transformando os principais estabelecimentos bancários, em proprietários de terras e cafezais.
Por outro lado e sempre há um lado positivo, a enorme perda de valor das sacas de café, trouxe um novo caminho para a economia brasileira. Mesmo em meio à Grande Depressão, muitos cafeicultores ainda restaram, salvando algum capital. Esses ex-cafeicultores começaram a investir no setor industrial, alavancando a indústria brasileira e, involuntariamente contribuindo para o fim da República Velha.
Todo o estado de São Paulo viu-se refém dessa situação terrível. A economia de quase todas as cidades foi grandemente abalada. Inclusive Taquaritinga e toda a região araraquarense. Evidentemente, milhares de famílias, foram igualmente atingidas, vítimas dessa monstruosa quebra da Bolsa de Nova York.
Por isso, o ano de 1929, passou a ser o triste marco do início das perdas daquilo que a família Cosentino construiu com o esforço e trabalho honesto. Com destacada atuação em Taquaritinga, os Cosentino foram verdadeiros empreendedores, atuando em diversos ramos de atividade, do comércio, indústria, agricultura. Diversos fatores contribuíram para sua generalizada derrocada na década de 1930, quando em verdadeira diáspora familiar, meus parentes se mudaram para outros lugares. Mas a Grande Depressão foi, sem dúvida, o maior abalo sofrido pela família desde sua chegada à Taquaritinga 36 anos antes, em 1893, quando a primeira geração imigrada da Itália começou a contribuir para o engrandecimento econômico da então vila de Ribeirãozinho.
Mas trinta e seis anos não acabam de um dia para outro. Sempre há a luta que mantém a esperança e sempre há a família mantendo a coesão e diminuindo as carências. Quando se percebe que toda a família está com problemas, surge uma aceitação tácita de amor e solidariedade, que desenvolve o apoio mútuo.
As perdas vão ocorrendo pouco a pouco, como essa de1929, quando Matheus, aos 63 anos, teve que se desfazer de um segmento de seu terreno de 1012m², adquirido parte em 1910 e completado em 1925. Nele já havia sido construída a moradia de Antonia, Matheus e os filhos Braz e Mansueto. A porção de 275m² (11m de frente, por 25m de fundo) localizada na esquina da Rua Treze de Maio, com a Rua Duque de Caxias, foi “transferida” para Boaventura Cavalliere, para saldar dívidas pendentes.
Mesmo quando pouco se tem para oferecer, dá-se um jeito de dar, ou emprestar, contando com o necessário devolver. E quando fica necessária a cobrança entre parentes em dificuldades, ela é feita com gentileza e compreensão. É isso o que se revela na simples leitura de dois bilhetes datados em 28 de abril e 11 de junho 1930, escritos por Braz com objetividade, mas também com gentileza. Nos bilhetes, firma Braz Cosentino & Cia. solicitava informes sobre duplicatas com aceite do primo Antonio Cosentino e o fazia quase como se incluísse um pedido de desculpa pela cobrança. O primeiro informava: “(...) passando-se já algum tempo (...)”. O segundo lembrava: “(...) infelizmente estão todas as duplicatas vencidas”.
Nesse ano de 1930, Braz esteve praticamente sozinho administrando seus negócios. A conturbada situação político-econômica encaminhava ao confronto militar. Por isso, Mansueto, aos 22 anos, esteve quase o ano inteiro envolvido com o Serviço Militar, à espera de um provável golpe contra o governo de Washington Luís. Vamos acompanhar as datas desse engajamento de Mansueto:
o
19 de janeiro: Apresenta-se ao Tiro de Guerra, em
Taquaritinga.
o
16 de maio: Apresentação ao Tiro de Guerra, em São Paulo.
o
18 de outubro: Aguarda inspeção de saúde.
o
19 de outubro: Julgado apto para serviço do Exército.
o
20 de outubro: Apresenta-se no Tiro de Guerra em Santos.
o
30 de outubro: É incorporado à Brigada de Infantaria
Minas Gerais
da 2ª Região Militar – Praça da Sé nº
83, sobreloja.
o
31 de outubro: É incorporado à 1ª Bateria do Quartel do
Forte Itaipu,
como Cabo Reservista, por convocação.
E no Forte de Itaipu, no boqueirão da Praia Grande, Mansueto ficou esperando a Revolução e ela veio do Sul, mas por terra e não por mar, não passando assim por seu quartel.
Segundo Celso Furtado, a Revolução de 1930 foi “o ponto culminante de uma série de levantes militares abortados, iniciados em 1922” tendo “sua base nas populações urbanas, particularmente na burocracia militar e civil e nos grupos industriais”, constituindo-se em “uma reação contra o excessivo predomínio dos grupos cafeeiros”.
Foi um movimento armado, que tirou do poder, através de um Golpe de Estado, o presidente Washington Luís, em 24 de outubro de 1930 e impediu a posse do Presidente eleito Júlio Prestes. Foi liderado pelos Estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul. Com o apoio dos chefes militares desses Estados, Getúlio Vargas chegou à presidência da República, pondo fim à República Velha e sua “Política do Café-com-leite”.
Através de eleições comprovadamente fraudulentas, que ocorriam em todos os Estados brasileiros, as oligarquias de cafeicultores e seus aliados “coronéis”, se mantinham no poder e conseguiam manter na presidência da República, políticos que representavam seus interesses. Essa política denominada “café-com-leite”, porque dava hegemonia e alternava no cargo presidencial ex-governadores paulistas e mineiros, gerava há muito tempo descontentamento em setores militares, desde os tenentes de 1920 e de todas as pessoas que buscavam a moralização política do país.
A quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque deu início a uma forte crise econômica mundial, esmagando todas as economias que mantinham alguma participação no comércio com os Estados Unidos.
No Brasil esse crack da bolsa americana atingiu profundamente nossa economia predominantemente voltada para a exportação de café, gerando desemprego e dificuldades financeiras para toda a nação. Este fato contribuiu para aumentar o clima de insatisfação popular contra o governo das oligarquias de Minas Gerais e São Paulo.
Nas eleições de 1930, essas oligarquias entraram em um sério conflito político. Era a vez de Minas Gerais indicar o candidato à presidência, porém Washington Luís apresentou a candidatura de Júlio Prestes de Albuquerque, o Presidente de São Paulo.
Descontentes, muitos políticos mineiros juntaram-se com gaúchos e paraibanos, criaram a Aliança Liberal e colocaram o Governador do Rio Grande do Sul como candidato de oposição à Presidência da República. Assim surge Getúlio Vargas, como um grande líder.
Mas a elite paulista, com apoio dos outros Estados e com vários indícios de fraude eleitoral, conseguira fazer vencer nas eleições, realizadas em 1º de março de 1930, o candidato governista Júlio Prestes. Todavia, em julho, quatro meses após a eleição, o candidato à vice-presidente de Getúlio Vargas, o paraibano João Pessoa, foi assassinado.
O
assassinato foi causado por questões pessoais e não políticas, mas foi
aproveitado para incendiar o clima de conflitos e, com isso, forte insatisfação
propagou-se por várias regiões do Brasil, gerando grande revolta popular. Tal
descontentamento do povo superou em muito as discussões e debates partidários
entre a Aliança Liberal, contra o Partido Republicano Paulista (PRP) e demais
defensores do governo federal. A situação quase incontrolável gerou a
preocupação em setores militares de alto comando, que temiam a possibilidade da
deflagração de uma guerra civil no Brasil.
O Presidente da República, sem condições de governar, também não pretendia renunciar ao poder. Assim, nem Júlio Prestes tomou posse e nem Washington Luiz terminou o seu mandato. Pois os chefes militares do Exército e Marinha, com um golpe de estado desencadeado a 3 de outubro de 1930, depuseram e exilaram o Presidente, instalando uma junta militar.
A oficialmente chamada “Revolução de 1930” acaba com a supremacia oligárquica dos “Barões do Café” e, embora Getúlio tenha recebido apoio também de parte dos cafeicultores, não deu prioridade em socorrer os fazendeiros paulistas em desespero, frustrando suas esperanças desde o início. Pessoas com algum poder, quando são frustradas de seus anseios, costumam reagir. Não levaria mais de dois anos para acontecer o contragolpe dos paulistas.
Como muitas vezes aqui já foi dito, nesses tempos, a atividade principal no município de Taquaritinga era a agricultura, principalmente a cafeicultura. Com a quebra da Bolsa de Nova York e a consequente desvalorização do preço de exportação das sacas de café, instalou-se no interior paulista uma crise no campo econômico, financeiro e social sem precedentes. Seus reflexos na vida do município de Taquaritinga, logo se fizeram sentir. A inadimplência dos descapitalizados proprietários de terras se estendeu para o comércio. Mais de 50% da população estava localizada na zona rural. As famílias foram dispensadas de seus trabalhos, gerando uma crise social sem precedentes. Muitos se transferiram para a zona urbana, inchando a cidade de pessoas a procura de trabalho.
Até 1930, os Prefeitos eram chamados de Intendentes. Somente após o golpe ficou determinado que o poder executivo municipal fosse ocupado por Prefeitos, indicados e não eleitos. Acabaram sendo chamados de interventores. Estes nem sempre eram pessoas oriundas do município ou da região e muitos não possuíam qualquer afinidade com a população.
Antes da Revolução vencedora, o Intendente eleito de Taquaritinga, era Manoel Gomes de Mendonça, que havia tomado posse em 15 de janeiro de 1929. Mas depois do golpe, no dia 27 de outubro de 1930, ele foi destituído. Os três primeiros interventores a ocupar a Prefeitura de Taquaritinga foram:
1º.
Dr. Carlos
Belarmino de Almeida Neto (28/10/1930 a 17/01/1931) Era Médico do Posto de
Saúde. Pessoa muito admirada e respeitada pelos taquaritinguenses.
2º.
Dr. Carlos de
Oliveira Novaes (18/01/1931 a 02/10/1932). Era fazendeiro cafeicultor e
pecuarista. Um dos homens mais ricos da região.
(Sendo, depois indicado para segundo mandato, de 30/09/1941 a
06/04/1947),
3º. Dr. Francisco de Arêa Leão (03/10/1932 a 04/10/1933) Médico piauiense e chefe político da ala getulista em nossa cidade. (Foi novamente indicado em 30/11/1936 até 29/09/1941 e foi eleito, não mais indicado, para um terceiro mandato em 18/01/1948 até 31/12/1951, demonstrando ser muito popular em suas administrações).
Como estamos contando uma história de família, é oportuno mencionar que Maria Lúcia Arêa Leão de Macedo, casou-se, em 1971, com meu irmão Antonio Mansueto Cosentino, em São Paulo, onde se conheceram. Essa moça era filha de Mauro Wamondes de Macedo e de Dona Dulce, irmã do Dr. Arêa Leão e, portanto, sua sobrinha.
Mas, voltando a 1930, meu tio “estrangeiro”, Braz Cosentino novamente precisou obter um Salvo Conduto. Desta vez, dirigido “a todas as autoridades deste Estado, a quem for solicitado o presente Salvo Conduto, recomenda-se darem livre trânsito ao Sr. Braz Cosentino, 39 anos de idade, profissão comércio, nacionalidade italiana, residente em Rio Preto, a quem se destina livre trânsito no Estado de São Paulo e cuja firma vai abaixo, escrita à minha vista. Delegacia Regional de Rio Preto, 16 de novembro de 1930”. Era o 13º dia da posse de Vargas. Esse documento traz o primeiro dado oficial da mudança de Braz de Taquaritinga para São José do Rio Preto.
Nessa
data, meu pai, também não estava em Taquaritinga. Estava aquartelado e
esquecido lá na Praia Grande, no Forte de Itaipu, esperando a uma guerra. Mas,
sem dar e nem mesmo ouvir tiro nenhum, em 22 de novembro, o soldado Mansueto dá
baixa da 1ª Bateria de Itaipu, de acordo com o Decreto Nº 19.384 de 25 de
outubro de 1930, emitido pela Junta Governativa Provisória.
Mateus Cosentino
Sampa – 23.02,2018
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